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Imagem da notícia Juan Estebán Avendaño Perez/Foto: Reprodução

Fuga em Bangu 8 envolve golpe em policial e corda improvisada

Um dos presos era procurado pela Interpol e pelo DEA; outro foi condenado na Colômbia pela morte de um policial.

Atualizado há 1 horas

Dois presos estrangeiros fugiram do Presídio Joaquim Ferreira de Souza, uma das unidades do complexo de Bangu 8, na Zona Oeste do Rio, durante a tarde de sábado (26/09), após renderem um policial penal. O holandês Gerel Lusiano Palm e o colombiano Juan Estebán Avendaño Perez deixaram a unidade por uma área nos fundos do presídio, mas foram recapturados ainda no mesmo dia.

Segundo informações de fontes locais, os dois renderam um agente que trabalhava pelo Regime Adicional de Serviço (RAS) e aplicaram um golpe conhecido como “mata-leão”. Durante a ação, um policial foi atingido por socos. A arma do agente também teria sido tomada, e a Corregedoria da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) analisa imagens das câmeras para esclarecer a dinâmica da ocorrência.

Na sequência, os presos chegaram a uma guarita localizada na parte traseira da unidade. Eles subiram pela estrutura e utilizaram uma “tereza”, nome dado no sistema penitenciário a uma corda improvisada, para descer até uma área externa com acesso à região de um lixão.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Informações iniciais apontaram que veículos poderiam estar aguardando os fugitivos do lado de fora para auxiliar na fuga. Uma fonte relatou que cinco carros ligados ao Comando Vermelho estariam posicionados na região e que Palm seria levado ao Complexo da Penha, na Zona Norte, onde ocorreria um possível resgate. A informação sobre os veículos ainda é objeto de apuração.

Juan Estebán foi localizado primeiro, pouco depois da fuga. Palm foi encontrado posteriormente durante as buscas, que tiveram apoio de um helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil. A aeronave chegou a ser acionada, mas os dois já haviam sido recapturados antes de sua utilização na operação.

A Seppen informou que a Corregedoria vai instaurar um procedimento para apurar as circunstâncias da fuga. Entre os pontos a serem esclarecidos estão o acesso dos presos à guarita e as condições que permitiram a saída da unidade.

Holandês era procurado internacionalmente

Gerel Lusiano Palm foi preso pela Polícia Federal em julho de 2021, aos 38 anos, em um apartamento na Barra da Tijuca. Na época, o nome dele constava na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas procuradas por autoridades de diferentes países.

Palm era procurado por uma condenação relacionada a tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Em 14 de janeiro de 2021, o Tribunal de Oost-Brabant, na Holanda, o condenou a 20 anos de prisão pelos dois crimes. Ele também respondia a outro processo relacionado a um homicídio ocorrido em 2015.

Além da condenação na Holanda, Palm era procurado pelo DEA, órgão estadunidense responsável pela investigação de crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas. A prisão no Rio foi realizada por agentes do Núcleo de Cooperação Policial Internacional da Polícia Federal, com apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e do Centro de Cooperação Policial Internacional.

Após a prisão, Palm foi encaminhado ao sistema penitenciário fluminense enquanto aguardava o processo de extradição para a Holanda.

O caso também aparece em uma investigação da Polícia Federal sobre uma suposta tentativa de interferência no processo de extradição. Segundo as investigações, a advogada Patrícia Falcão, que representa Palm, teria oferecido R$ 150 mil ao ex-secretário estadual de Esportes do Rio Alessandro Pitombeira Carracena para que ele atuasse em favor do holandês.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Ainda conforme a PF, Carracena teria acionado outras pessoas, entre elas o delegado federal Fabrizio Romano, que teria solicitado parte do valor antecipadamente e consultado sistemas policiais sobre os processos relacionados a Palm.

Os fatos são investigados na Operação Anomalia, integrante da força-tarefa Missão Redentor II. Patrícia Falcão e Fabrizio Romano foram presos por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto Carracena, que já estava preso desde setembro de 2025, recebeu um novo mandado. As investigações apuram, conforme a participação atribuída a cada envolvido, suspeitas de associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

A defesa de Palm afirmou, no sábado (26/09), que o preso estaria sofrendo agressões de outros detentos e pediu à Justiça que ele fosse mantido em isolamento para preservar sua integridade física. O advogado também informou que Palm aguarda a extradição para a Holanda.

Colombiano foi condenado por morte de policial

Juan Estebán Avendaño Perez foi condenado a 40 anos de prisão na Colômbia pela morte do policial Juan Camilo, ocorrida em 2010. Segundo as investigações colombianas, o agente cobrava uma dívida de aproximadamente 10 milhões de pesos colombianos, e o colombiano teria planejado o assassinato para evitar o pagamento.

Depois do crime, Juan Estebán fugiu para Santiago, no Chile, onde permaneceu até 2016. Naquele ano, passou a viver no Rio de Janeiro.

Investigações das polícias Civil e Federal brasileiras apontaram que o colombiano seria integrante do Cartel de Medellín e faria a ligação entre a organização e traficantes brasileiros. Ele foi localizado durante uma apuração da 11ª DP (Rocinha) sobre o tráfico de drogas na comunidade, na Zona Sul do Rio.

Na ocasião, os policiais descobriram que Juan Estebán frequentava a região, mas não encontraram registros com seu nome nos bancos de dados nacionais. A consulta internacional revelou, porém, que ele estava na lista de alerta vermelho da Interpol.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Polícia Federal entrou em contato com a Interpol e com autoridades colombianas, que confirmaram a identidade do homem e a existência da condenação. Com um mandado de prisão expedido pelo STF, agentes das polícias Civil e Federal e da Interpol participaram da operação que levou à prisão do colombiano na casa da companheira dele, na Estrada do Itanhangá, na comunidade da Muzema, na Zona Oeste.

No momento da fuga de Bangu 8, Palm estava classificado como “faxina”, condição que permite a presos exercer atividades laborativas dentro da unidade. A classificação e as circunstâncias que levaram à autorização para que ele desempenhasse esse tipo de atividade também serão analisadas pela Corregedoria.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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