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Sarampo: relatório global aponta queda histórica e risco de novos surtos
Mesmo países de alta renda registram novos surtos da doença.
Atualizado há 121 dias
A incidência global de sarampo caiu 71% entre 2000 e 2024, alcançando 11 milhões de casos, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (28/11) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento aponta que a ampliação da cobertura vacinal evitou quase 59 milhões de mortes no período, reduzindo em 88% o número anual de óbitos, atualmente estimado em 95 mil.
O balanço, porém, evidencia um cenário de alerta. Em 2023, houve um ressurgimento da doença, com aumento de 8% nos casos em comparação com os índices pré-pandemia de 2019. As mortes caíram 11% no mesmo intervalo, reflexo da circulação mais intensa do vírus em países de renda média, onde a letalidade tende a ser menor.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, afirmou que o sarampo “explora qualquer lacuna na imunização”, destacando sua alta transmissibilidade (capaz de infectar até 90% das pessoas não imunizadas próximas a alguém doente). A agência ressalta que o sarampo costuma ser a primeira doença a ressurgir quando a vacinação perde fôlego.
Kate O’Brien, diretora do Departamento de Imunização, alertou que reduções discretas na cobertura já são suficientes para desencadear surtos. Segundo ela, a queda na imunização também abre espaço para o retorno de outras doenças preveníveis, como difteria, coqueluche e poliomielite.
Em 2024, 59 países registraram surtos grandes ou perturbadores, o maior número desde a pandemia e quase três vezes o observado em 2021. Houve ressurgimento inclusive em nações de alta renda, como Canadá (que perdeu neste mês de novembro seu status de eliminação do sarampo), Estados Unidos e México, todos com registros significativos.
A OMS apontou ainda que cortes profundos no financiamento da Rede Global de Laboratórios de Sarampo e Rubéola e de programas nacionais de imunização ampliam o risco de retrocessos. A agência reduziu drasticamente suas equipes após a saída dos Estados Unidos como principal financiador.
A cobertura vacinal global permanece abaixo do nível necessário para impedir a circulação do vírus: 84% das crianças receberam a primeira dose em 2023 e 76% a segunda, longe dos 95% preconizados. A vacina, disponível em diferentes formulações, oferece proteção de até 97% com duas doses.
O sarampo permanece uma doença altamente contagiosa e capaz de provocar complicações graves. Entre os sintomas iniciais estão febre alta, manchas vermelhas, tosse seca, irritação nos olhos e mal-estar intenso. As complicações mais frequentes incluem pneumonia, otite, encefalite e, em casos extremos, morte. A transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e quatro dias após o surgimento do exantema.
O diagnóstico é considerado padrão-ouro quando realizado por sorologia ou RT-PCR, com coleta de amostras no primeiro atendimento. Não há tratamento específico para o sarampo; as medidas são focadas em aliviar sintomas, manter hidratação e monitorar sinais de agravamento.
A OMS enfatiza que a resposta global depende da ampliação das estratégias de vacinação, da manutenção de investimentos em vigilância epidemiológica e da mobilização de países diante de um vírus que continua explorando brechas de imunização, inclusive em regiões anteriormente consideradas livres da doença.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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