Foto: Bruno Maia (Comunicação Maricá F.C.)
Magno Nunes alcança 100 jogos e entra para a história do Maricá F.C.
Primeiro jogador centenário da história do Maricá F.C., o lateral relembra momentos marcantes, títulos e fala sobre a identificação construída com o clube ao longo dos anos.
Atualizado há 4 horas
Os números são elementos essenciais do futebol. Das camisas que identificam os jogadores aos jogos, títulos, gols e assistências. Mas algumas marcas carregam significados que vão além das estatísticas. No Maricá F.C., os 100 jogos de Magno Nunes representam muito mais do que uma contagem: simbolizam história, pertencimento, superação e fidelidade a um projeto que o lateral-direito ajudou a construir dentro de campo.
Primeiro jogador “centenário” da história do Maricá F.C., Magno se tornou uma das principais referências do Tsunami nos últimos anos. Presente em momentos históricos, como conquistas de títulos e o acesso à Série A do Campeonato Carioca, o atleta construiu uma trajetória marcada pela persistência desde a infância até a consolidação como ídolo do clube.
Um sonho
Natural de Vila Velha, no Espírito Santo, Magno precisou amadurecer rapidamente para perseguir o sonho de se tornar jogador profissional. Ainda adolescente, deixou a casa da família para tentar construir uma carreira no futebol.
“Saí de casa com 13 anos para correr atrás do meu sonho. Passei em uma peneira e vim para o Rio de Janeiro jogar no Campo Grande, no centro de treinamento do Pedrinho Vicençote (ex-Vasco, Palmeiras e Seleção Brasileira). Alguns empresários levavam jogadores para a Itália e, depois de alguns meses, fui selecionado também.”
A oportunidade de atuar no futebol europeu parecia próxima, mas acabou interrompida por problemas de documentação.
“Em 2006 fui para a Itália, mas, por conta da documentação, não consegui permanecer legalmente no país. Foi um momento difícil porque era um sonho muito grande. Precisei voltar para o Campo Grande e continuar minha caminhada no Brasil.”
Depois disso, passou pelas categorias de base do Botafogo, onde conheceu Douglas Oliveira, atual diretor do Maricá F.C. e personagem importante em sua trajetória.
“No Botafogo conheci o Douglas, que hoje é diretor do Maricá F.C. Construímos uma amizade muito forte desde aquela época. Depois rodei por vários clubes, tive momentos bons e também dificuldades.”
Desilusão e retomada
O início da carreira profissional não foi simples. Após passagem pelo Americano, Magno chegou a interromper temporariamente a carreira.
“Minha primeira passagem profissional foi no Americano, mas acabei não ficando. Parei por um ano. Foi uma fase complicada, porque começamos a questionar muitas coisas.”
Mesmo longe dos gramados, o sonho permaneceu vivo. O lateral retomou a carreira no Espírito Santo e reencontrou o caminho das conquistas.
“Voltei para jogar a segunda divisão do Campeonato Capixaba. Subimos o Esporte Capixaba e, no ano seguinte, fui para o Espírito Santo F.C., onde também conquistamos o acesso e fomos campeões da Copa Espírito Santo. Aquilo me deu confiança novamente.”
A chegada ao Maricá F.C.
A carreira seguiu com passagens por clubes de diferentes estados até o encontro definitivo com o Tsunami.
“Passei por Itabaiana, Bangu, Amazonas, Globo-RN, entre outros clubes. Em 2020 cheguei ao Maricá F.C., e foi um clube que mudou minha vida.”
Após conquistar o acesso à Série A2 em 2020, deixou o Maricá F.C. em 2021 e retornou em definitivo em 2024. Depois de enfrentar uma grave lesão no joelho direito, recuperou-se e fortaleceu a identificação com o projeto do clube.
“Quando percebi que estava chegando aos 100 jogos, foi uma sensação muito especial. Tudo aconteceu de forma natural. O clube abriu as portas para mim e para minha família. Somos muito felizes aqui.”
Magno também destacou a confiança recebida da diretoria ao longo dos anos.
“Tenho muita gratidão ao Douglas, que confiou em mim desde o começo. A nossa relação vai além do futebol; é praticamente um laço familiar. São mais de 15 anos de amizade.”
Para ele, atingir a marca centenária em um clube ainda em construção torna o feito ainda mais significativo.
“Muitos clubes têm calendário cheio e disputam muitos jogos por temporada. O Maricá F.C., por muito tempo, teve temporadas mais curtas. Então, chegar a 100 partidas aqui é algo muito grande para mim.”
Momentos inesquecíveis
Ao relembrar os momentos mais marcantes com o Tsunami, Magno cita o título da Taça Corcovado, em 2020, como um dos mais especiais.
“Aquele título de 2020 foi muito marcante porque foi o primeiro do clube e uma marca de superação. Tínhamos poucos jogadores, mas mesmo assim conseguimos ser campeões. Foi um grupo muito resiliente.”
O acesso à Série A do Campeonato Carioca aparece como o ponto mais emocionante da trajetória.
“O jogo contra o Olaria foi o mais importante da minha trajetória aqui. Aquele acesso representava o sonho do clube, da cidade e de todos que participaram do projeto desde o começo. É algo que lembrarei para sempre.”
Em 2024, o Maricá F.C. ainda conquistou a Copa Rio e a Taça Santos Dumont, equivalente ao primeiro turno da Série A2.
“Foi um ano mágico. Conseguimos títulos importantes e colocamos o Maricá F.C. em outro patamar. Tudo foi inexplicável.”
Entre os lances individuais, uma assistência segue viva na memória do lateral.
“A assistência para o gol do Pablo contra o Resende ficou marcada para mim. Saí do banco e consegui dar aquele passe importante para a vitória.”
A evolução do Maricá F.C.
Presente desde os primeiros anos do projeto, Magno acompanhou de perto a transformação estrutural do clube.
“Quem viveu o começo sabe o quanto o Maricá F.C. evoluiu. Levávamos roupa para casa para lavar porque não tinha rouparia. Hoje o clube tem estrutura organizada, staff qualificado, centro de treinamento e um ambiente muito bom. A evolução foi enorme.”
E, para ele, o clube seguirá crescendo nos próximos anos.
“O clube está crescendo ano após ano. Tenho certeza de que ainda vamos colher muitos frutos e o Maricá F.C. se consolidará como um dos principais times do futebol carioca.”
Empadão e estrogonofe
Fora dos gramados, Magno revela um lado leve e familiar. Casado há mais de 10 anos, destaca o papel da esposa Andressa e dos filhos Heitor e Liz em sua trajetória.
“Minha família é meu combustível. Minha esposa esteve comigo em todos os momentos difíceis, inclusive nas três cirurgias no joelho direito. Meus filhos conseguem mudar meu dia quando as coisas não saem bem.”
Além do futebol, cultiva hobbies ligados ao lazer e à culinária.
“Gosto de praia, soltar pipa e cozinhar. Lá em casa quem manda na cozinha sou eu. Cozinhar virou uma terapia.”
Suas especialidades são o estrogonofe, de carne ou frango, e o empadão capixaba, receita típica de sua terra natal.
Superação
Ao ser questionado sobre uma palavra capaz de definir toda a trajetória no futebol e no Maricá F.C., a resposta foi imediata: “Superação”.
O termo resume a caminhada de quem deixou Vila Velha ainda criança para perseguir o sonho de ser jogador profissional, enfrentou dificuldades, precisou recomeçar após interromper a carreira e superou três cirurgias no joelho direito até se tornar o atleta com mais partidas da história do Maricá F.C. Uma trajetória marcada pela persistência e pela identificação com o clube.
Fonte: Assessoria de imprensa do Maricá F.C.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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