Da esquerda para a direita: Trump e Maduro/Fotos: Kamil Kraczynski e Federico Parra
EUA confirmam ataque militar e captura do presidente da Venezuela
Bombardeios atingiram a capital Caracas e outros estados venezuelanos; governo decretou emergência.
Atualizado há 85 dias
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou neste sábado (03/01) que o país não aceitará a presença de tropas estrangeiras e reagirá a qualquer intervenção militar. A declaração foi divulgada em vídeo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que Nicolás Maduro foi capturado durante uma operação militar em larga escala realizada no território venezuelano.
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Segundo o governo americano, a ofensiva começou por volta das 3h (horário de Brasília) e atingiu Caracas, além dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. As autoridades dos EUA informaram que Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram retirados do país em uma ação conjunta que envolveu tropas de elite e forças policiais americanas.
Relatos de testemunhas e de equipes jornalísticas indicam explosões, colunas de fumaça e intenso tráfego aéreo sobre a capital venezuelana por cerca de 90 minutos. Moradores de áreas costeiras descreveram tremores no solo e mudanças na coloração do céu durante os bombardeios. Em várias regiões de Caracas, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido logo após o início dos ataques.
Em meio à ofensiva, a Administração Federal de Aviação (FAA) proibiu aeronaves dos Estados Unidos de operarem no espaço aéreo venezuelano, citando riscos à segurança decorrentes da atividade militar. Trump classificou a ação como uma “operação brilhante” e marcou uma coletiva de imprensa na Flórida para apresentar detalhes da operação.
A intervenção ocorre anos depois de o sistema judicial americano ter acusado Maduro, em 2020, de narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína. À época, Washington alegou que o líder venezuelano chefiava o chamado “Cartel de los Soles” e ofereceu recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à sua prisão. De acordo com autoridades dos EUA, a captura tem como objetivo levá-lo a julgamento em território americano.
O governo venezuelano decretou emergência nacional e ativou planos de defesa. A vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou que a gestão local desconhece o paradeiro de Maduro e de Cilia Flores. Vladimir Padrino denunciou ataques a áreas civis e informou que o país está reunindo dados sobre mortos e feridos decorrentes da ofensiva.
A reação internacional foi imediata e dividida. A Rússia classificou a operação como um ato de agressão armada, enquanto Cuba descreveu o ataque como criminoso. A Colômbia manifestou profunda preocupação com a segurança da população civil, e o Chile defendeu uma saída pacífica para a crise por meio do diálogo. Na Argentina, o presidente Javier Milei celebrou a ação com a frase “A liberdade avança”. A União Europeia pediu moderação e respeito ao direito internacional, reiterando que Maduro carece de legitimidade democrática. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência no Itamaraty com diplomatas e militares para avaliar os desdobramentos do cenário regional.
A Venezuela também solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, alegando violação de sua soberania nacional. Pela Constituição do país, em caso de “ausência absoluta” do presidente, a vice-presidente executiva assume o cargo e deve convocar eleições no prazo de 30 dias. Caso o processo seja concluído, o novo chefe do Executivo cumprirá um mandato de seis anos.
Especialistas avaliam diferentes cenários políticos, incluindo o colapso do regime e a renúncia ou fuga de figuras centrais do governo. Entre os nomes da oposição, ganha destaque Edmundo González Urrutia, candidato nas eleições de 2024 e atualmente exilado na Espanha. Ele conta com o apoio da ativista María Corina Machado, vencedora recente do Prêmio Nobel da Paz, que afirmou que seu movimento se prepara para uma transição política ordenada assim que Maduro deixar o poder.
O agravamento da crise ocorre em um país que concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, fator frequentemente associado a disputas estratégicas internacionais. Analistas traçam paralelos com o Iraque, que também possui vastas reservas petrolíferas e está entre os maiores produtores e exportadores globais. Entre 2003 e 2011, os Estados Unidos lideraram uma guerra para derrubar o regime iraquiano, com apoio de aliados como Reino Unido, Austrália e Polônia, sob a justificativa de combater o terrorismo e localizar Armas de Destruição em Massa, que nunca foram encontradas. O histórico reacende o debate global sobre os impactos políticos, econômicos e geopolíticos de intervenções militares em países detentores de grandes reservas energéticas.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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