Foto: Pablo Porciuncula
Bolsonaro é preso após decisão de Moraes sobre risco de fuga
Polícia Federal cumpriu mandado no início da manhã; ex-presidente está na PF do Distrito Federal.
Atualizado há 127 dias
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso na manhã deste sábado (22/11) após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A prisão preventiva foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e não tem relação direta com a condenação por tentativa de golpe de Estado, mas foi adotada como medida cautelar.
Segundo a decisão, a convocação de uma vigília feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na noite anterior, em frente ao condomínio do ex-presidente, levantou indícios de risco de fuga e possível tentativa de interferência na fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar à qual Bolsonaro estava submetido desde agosto.
Moraes apontou que o ato, apresentado como uma vigília pela saúde do ex-presidente, reproduzia o “modus operandi da organização criminosa” investigada no processo, com o uso de manifestações para gerar tumulto e obter vantagens. O ministro também relembrou que as investigações identificaram um plano de fuga de Bolsonaro para a embaixada da Argentina.
O ex-presidente foi detido por volta das 6h e levado para a sede da PF às 6h35. Depois dos trâmites iniciais, seguiu para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde ocupará uma Sala de Estado, área reservada a autoridades. Ele passou por exame de corpo de delito no próprio local, realizado por agentes do Instituto Médico-Legal para evitar exposição.
Em nota, a PF informou que cumpriu o mandado expedido pelo STF. A defesa de Bolsonaro afirmou que, até as 6h40, ainda não havia sido comunicada oficialmente sobre a prisão.
Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 04/08, após decisão de Moraes por descumprimento de medidas cautelares. O ministro apontou, na ocasião, que o ex-presidente usou redes sociais de aliados (incluindo seus filhos parlamentares) para divulgar mensagens que estimulavam ataques ao STF e defendiam intervenção estrangeira no Judiciário.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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