Evandra Damasceno já usou peruca, não usa mais e doou/Foto: Divulgação HEGV
Projeto arrecada cabelos para confecção de perucas e apoia pacientes com câncer
“Fios da Alegria” recolhe cabelos no hospital da Penha e destina perucas a mulheres em tratamento contra o câncer.
Atualizado há 67 dias
O projeto “Fios da Alegria”, desenvolvido pelo Núcleo de Educação Permanente do Hospital Estadual Getúlio Vargas (HEGV), na Penha, Zona Norte do Rio, arrecada mechas de cabelo para a confecção de perucas destinadas a pacientes em tratamento contra o câncer. A iniciativa foi idealizada pelo coordenador do setor, Márnio Rodrigues de Mesquita, e conta com parceria da Associação Laços de Amor, de Volta Redonda, responsável pela produção das peças.
As doações podem ser feitas por funcionárias do hospital, pacientes, familiares e moradores das comunidades do entorno. Também são aceitas mechas já cortadas, entregues diretamente na unidade. Para participar, basta procurar o Núcleo de Educação Permanente ou o Centro de Estudos de Aperfeiçoamento do HEGV. Os cortes são agendados, geralmente às sextas-feiras, e realizados pelo próprio coordenador, formado em enfermagem e com experiência anterior como cabeleireiro.
Desde o início do projeto, em 2022, já foram arrecadadas 118 mechas (30 no primeiro ano, 60 em 2023, 12 em 2024 e 16 em 2025). O material é enviado à Associação Laços de Amor, que atua há 12 anos de forma voluntária na confecção de perucas destinadas a hospitais oncológicos e organizações sociais de estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
A copeira do HEGV Evandra Damasceno, de 51 anos, foi uma das beneficiadas. Durante o tratamento de um câncer raro no seio, ela perdeu cabelos, cílios e sobrancelhas após as primeiras sessões de quimioterapia. Segundo relata, a peruca recebida pelo projeto teve papel decisivo na recuperação da autoestima. “Ganhei uma peruca muito parecida com o meu cabelo e recuperei a minha identidade”, afirmou. Evandra também doou outras perucas que recebeu, para que outras pacientes pudessem utilizá-las.
Para a diretora-técnica do HEGV, Flavia Nobre, a iniciativa contribui diretamente para o bem-estar das pacientes: “Com as perucas, muitas mulheres voltam a se reconhecer. A melhora da autoestima também influencia positivamente o tratamento”.
Sensibilizada por casos próximos, a auxiliar de serviços gerais Claudiane Galdino da Silva, de 35 anos, decidiu doar o cabelo após acompanhar o diagnóstico de câncer da enteada, de 4 anos, e de uma amiga. O cabelo levou cerca de dois anos para atingir o tamanho necessário para o corte. “Saber que posso contribuir para a felicidade de outras pessoas me trouxe alívio”, disse.
Segundo a presidente da Associação Laços de Amor, Alessandra Sousa Silva, são necessárias ao menos três mechas, com mínimo de 15 centímetros cada, para a confecção de uma peruca. Em média, de duas a três pessoas contribuem para uma unidade. Atualmente, cerca de 20 costureiras voluntárias produzem aproximadamente 50 perucas por mês, conforme a quantidade de doações recebidas.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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