Tomaz Silva/Agência Brasil
SUS responde por 60% dos exames de imagem no Brasil, mas desigualdade persiste em relação a planos de saúde
Atlas da Radiologia 2025 aponta avanços no serviço público, mas revela diferenças significativas no acesso a mamografias e ressonâncias
Atualizado há 186 dias
O Sistema Único de Saúde (SUS) foi responsável por mais de 101 milhões de exames de imagem em 2023, representando 60% dos principais procedimentos realizados no país. Apesar do volume, a proporção de exames por 1 mil usuários mostra que quem tem plano de saúde ainda tem acesso superior, embora a desigualdade tenha diminuído entre 2014 e 2023.
Desigualdade no acesso
Em 2023, a cada 1 mil usuários do SUS, foram realizados cerca de 634 exames, enquanto na rede privada o número foi de aproximadamente 1.323 procedimentos por 1 mil beneficiários. O levantamento é do Atlas da Radiologia no Brasil 2025, elaborado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, com base em dados do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O estudo analisou cinco tipos de exames: raio-x (exceto odontológico), mamografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, utilizando a densidade de exames por usuário e o Indicador de Desigualdade Público/Privado (IDPP) para avaliar a diferença entre SUS e planos.
Mamografia ainda concentra maior desigualdade
Entre os exames, a mamografia apresenta a maior desigualdade persistente. Em 2023, usuários de planos realizaram 3,54 vezes mais mamografias que os atendidos pelo SUS. A mamografia é essencial para detecção precoce do câncer de mama, sendo recomendada pelo Ministério da Saúde a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos, enquanto os planos de saúde oferecem o exame a partir dos 40 anos.
Por outro lado, o menor IDPP foi registrado no raio-x (1,36), enquanto a ressonância magnética apresenta a maior disparidade, sendo realizada 13,13 vezes mais pelos beneficiários de planos. Entretanto, a densidade de ressonâncias no SUS mais que dobrou entre 2014 e 2023, de 6,07 para 13,80 exames por 1 mil pessoas, reduzindo o IDPP em 30%.
Disponibilidade de equipamentos
O Atlas também detalha a oferta de aparelhos no país. Para cada 100 mil habitantes, há quase 27 ultrassons e 16 aparelhos de raio-x, mas apenas 3,38 tomógrafos, 3,21 mamógrafos e 1,69 ressonâncias.
As diferenças regionais são significativas:
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Sudeste concentra mais aparelhos em termos absolutos, mas o Centro-Oeste tem maior densidade para quatro tipos de equipamentos.
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Nordeste tem menos acesso a tomógrafos e apenas 1,1 ressonância por 100 mil habitantes.
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No Acre, há 7 mamógrafos no SUS, menos de 1 aparelho por 100 mil usuários, enquanto a rede privada possui 35 por 100 mil.
O Indicador de Desigualdade Público/Privado confirma que o raio-x tem a menor diferença (2,34), enquanto a maior disparidade está nos ultrassons (3,74 vezes mais nos planos de saúde).
Conclusão
O estudo evidencia que, apesar dos avanços do SUS em densidade de exames e redução de desigualdade, a diferença de acesso a procedimentos mais complexos e à oferta de equipamentos ainda é significativa, sobretudo em regiões menos favorecidas e para mamografias e ressonâncias.

Yasmim Celestino
Jornalista do Jornal Gazeta
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