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Imagem da notícia Foto: Stefan Kolumban

Marcação inédita de tartarugas-cabeçudas ocorre na Baía de Guanabara

Parceria entre pescadores e Projeto Aruanã gera dados inéditos sobre espécie ameaçada de extinção.

Atualizado há 2 horas

Pescadores artesanais, em parceria com pesquisadores do Projeto Aruanã, realizaram no dia 18/04 a marcação de dois exemplares de tartaruga-cabeçuda que entraram e permaneceram em um curral de pesca no interior da Baía de Guanabara. A ação representa um registro inédito na região e abre novas perspectivas para estudos científicos sobre a espécie.

Embora a presença desses animais já fosse conhecida pelos pescadores, somente a partir de 2024 os registros passaram a ser sistematizados, após o fortalecimento da colaboração com os biólogos do projeto, que conta com patrocínio da Petrobras e do Governo Federal, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Considerada ameaçada de extinção em nível global, a tartaruga-cabeçuda costuma habitar áreas de mar aberto. Segundo pesquisadores, a oferta de camarões na baía pode explicar a presença mais frequente desses animais na região. “O conhecimento da ocorrência frequente dessa espécie na Baía de Guanabara é algo recente e, graças à parceria com os pescadores artesanais, agora temos acesso a essa informação preciosa”, afirmou a coordenadora-geral do projeto, Suzana Guimarães.

O curral de pesca, estrutura fixa feita com estacas de bambu, funciona como um cercado que retém peixes com o movimento das marés. Eventualmente, tartarugas também entram nesses espaços e, quando não conseguem sair, são auxiliadas pelos pescadores. “Quando elas entram no curral e não conseguem sair, eu abro para que o animal volte ao mar”, explicou o pescador João Luiz Vasconcelos, conhecido como “Português”.

Outro participante da iniciativa, o pescador Uallace Santos destacou a relevância da experiência. “Foi emocionante ver as tartarugas sendo marcadas pela primeira vez aqui na baía e muito gratificante poder participar”, disse.

O caso remete à trajetória de Jorge, uma tartaruga-cabeçuda que, após viver décadas em cativeiro na Argentina, foi devolvida ao oceano e chegou à Baía de Guanabara após três meses de deslocamento. Segundo os pesquisadores, o animal pode ter permanecido na região devido à oferta de alimento.

A marcação dos animais integra uma nova linha de pesquisa que prevê, nos próximos meses, o uso de transmissores satelitais para monitoramento. A proposta é mapear rotas, permanência e possíveis ameaças enfrentadas pelas tartarugas dentro da baía.

Para os pesquisadores, os dados obtidos podem contribuir para ampliar a mobilização por medidas de despoluição da Baía de Guanabara, especialmente em áreas internas, onde estão ecossistemas sensíveis, como os manguezais, fundamentais para a reprodução de diversas espécies marinhas.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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