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Imagem da notícia Foto: Mandel Ngan

Dinamarca e Groenlândia reagem a falas de Trump sobre anexação de seus territórios

Governos de Copenhague e Nuuk rejeitam pressões dos EUA e citam direito internacional após novas declarações do presidente americano.

Atualizado há 82 dias

Copenhague, capital da Dinamarca, e Nuuk, capital da Groenlândia, reagiram com dureza às novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de o território ártico passar a integrar os EUA. O episódio ganhou maior peso político após a recente operação militar americana na Venezuela, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro e ampliou temores na Europa sobre o uso da força para impor interesses estratégicos.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou nesta segunda-feira (05/01) que “já chega”, em referência às falas vindas de Washington. Em publicação nas redes sociais, ele rejeitou “pressões, insinuações e fantasias de anexação” e declarou que o território autônomo dinamarquês está aberto ao diálogo, desde que ocorra pelos canais diplomáticos e com respeito ao direito internacional.

As reações ocorreram após Trump reiterar, em declarações a jornalistas a bordo do Air Force One e em entrevista à revista The Atlantic, que os Estados Unidos “precisam da Groenlândia” por razões de segurança nacional. O presidente afirmou ainda que a Dinamarca não teria capacidade de garantir sozinha a defesa da ilha, localizada em área estratégica do Ártico e rica em minerais considerados críticos para a indústria de alta tecnologia.

O governo dinamarquês respondeu de forma imediata. A primeira-ministra Mette Frederiksen classificou como “absolutamente absurdo” qualquer argumento que sustente a tomada de controle da Groenlândia pelos EUA e pediu que Washington interrompa o que chamou de ameaças a um aliado histórico. Ela lembrou que a Dinamarca, e por extensão a Groenlândia, integra a Otan e está protegida pelas garantias de segurança da aliança.

A crise diplomática foi agravada por uma publicação de Katie Miller, mulher de Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca, que divulgou uma imagem da Groenlândia pintada com as cores da bandeira americana e a palavra “SOON” (“em breve”). Nielsen classificou o gesto como “desrespeitoso” e afirmou que o futuro do território não é decidido por postagens em redes sociais.

O embaixador da Dinamarca em Washington, Jesper Moeller Soerensen, reagiu dizendo que o país ampliou de forma significativa a segurança no Ártico e mantém cooperação estreita com os Estados Unidos. “Somos aliados próximos e devemos continuar agindo como tal”, escreveu.

Outros líderes europeus também se manifestaram. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, declarou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca podem decidir sobre o futuro do território. Posições semelhantes foram adotadas por Suécia e Noruega, enquanto a França declarou solidariedade a Copenhague e destacou que fronteiras internacionais não podem ser alteradas pelo uso da força.

Nos bastidores, diplomatas europeus admitem que a intervenção americana na Venezuela elevou o nível de preocupação. A operação, descrita por Trump como uma administração americana por tempo indeterminado, é vista como um precedente sensível em um cenário de disputas geopolíticas por áreas estratégicas e recursos naturais.

Apesar de possuir ampla autonomia, a Groenlândia permanece ligada ao Reino da Dinamarca. O governo local tem reiterado que o território não está à venda e que qualquer mudança em seu status político deve respeitar a vontade da população, expressa por meios democráticos e respaldada por acordos internacionais.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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