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Imagem da notícia Protesto antes do jogo contra a Costa Rica/Foto: Reprodução

Seleção do Irã mostra imagens de vítimas de bombardeios em protesto às vésperas da Copa de 2026

Exibição de imagens, homenagens a vítimas e atos simbólicos marcam posicionamento da equipe em meio à escalada militar e incertezas sobre o Mundial.

Atualizado há 2 horas

A seleção de futebol iraniana transformou compromissos preparatórios para a Copa do Mundo de 2026 em uma plataforma de posicionamento político. Nesta terça-feira (31/03), antes do amistoso contra a Costa Rica, os jogadores exibiram imagens que denunciavam ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos, em meio à escalada militar iniciada em fevereiro contra o Irã.

O material apresentado incluiu registros de destruição de instalações esportivas e prédios históricos, além de homenagens aos mortos no navio Dena e cenas de equipes de resgate, como bombeiros e integrantes da Cruz Vermelha, atuando durante bombardeios. Após o ato, o Irã venceu a partida por 5 a 0.

A iniciativa ocorre em um momento de alta visibilidade internacional, às vésperas do Mundial, e explicita o uso do futebol como instrumento para amplificar denúncias e pautas geopolíticas. Desde o início do conflito, bases navais e centros de inteligência iranianos passaram a ser alvos de ataques diretos, elevando a tensão na região.

Os protestos da equipe, no entanto, não se limitaram ao confronto contra a Costa Rica. Na sexta-feira (27/03), em amistoso contra a Nigéria disputado em Belek, na Turquia, os jogadores entraram em campo usando braçadeiras pretas e segurando mochilas escolares durante a execução do hino nacional. O gesto foi uma referência ao ataque à escola Shajareh Tayyebeh, que, segundo autoridades iranianas, deixou mais de 175 mortos, entre crianças e professores, no primeiro dia dos bombardeios.

Protesto antes do jogo contra a Nigéria/Foto: Reprodução
Protesto antes do jogo contra a Nigéria/Foto: Reprodução

De acordo com Mehdi Mohammad Nabi, vice-presidente da federação iraniana de futebol, a manifestação partiu dos próprios atletas. Em declaração à agência Reuters, ele afirmou que o grupo decidiu, de forma coletiva, prestar solidariedade às vítimas: “Eles ficaram profundamente abalados com o bombardeio à escola de meninas e quiseram expressar sua solidariedade”.

Investigadores militares dos Estados Unidos consideram possível que forças americanas tenham sido responsáveis pelo ataque à escola, mas a apuração ainda não foi concluída. O alto comissário de direitos humanos da ONU cobrou, na mesma semana, a finalização das investigações durante reunião do Conselho de Direitos Humanos.

As manifestações também refletem um cenário interno de divergências. No início de março, parte da seleção feminina iraniana permaneceu em silêncio durante o hino nacional em uma partida da Copa da Ásia, o que levou a televisão estatal do país a classificá-las como “traidoras”.

A tensão política também alcança a organização da Copa do Mundo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no início de março que a presença da seleção iraniana no país poderia levantar questões relacionadas à segurança. Diante disso, a federação do Irã chegou a negociar com a Fifa a transferência de seus jogos para o México. O pedido, porém, foi rejeitado. O presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que o cronograma será mantido conforme o sorteio. Segundo a tabela oficial, o Irã disputará a fase de grupos em cidades norte-americanas: enfrentará Nova Zelândia e Bélgica em Los Angeles e o Egito em Seattle, com centro de treinamento previsto em Tucson, no Arizona.

Infantino esteve presente no amistoso contra a Costa Rica, em Antalya, na Turquia, onde se reuniu com jogadores e integrantes da comissão técnica. Ele afirmou que a participação iraniana no torneio está garantida: “O Irã estará na Copa do Mundo”, declarou à AFP.

Gianni Infantino, presidente da Fifa/Foto: Alfredo Estrella
Gianni Infantino, presidente da Fifa/Foto: Alfredo Estrella

A confirmação contrasta com declarações anteriores do governo iraniano. No dia 11/03, o ministro do Esporte do país havia afirmado que a seleção não participaria do Mundial “sob nenhuma circunstância”.

Dentro de campo, além da goleada sobre a Costa Rica, o Irã foi derrotado pela Nigéria por 2 a 1 no amistoso anterior. Fora das quatro linhas, no entanto, a equipe segue no centro de um cenário em que esporte, política e conflito internacional se entrelaçam de forma cada vez mais evidente.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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