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Especialista alerta para aumento de casos de AVC nos meses mais quentes do verão
Desidratação e alterações na pressão favorecem formação de coágulos.
Atualizado há 96 dias
Casos de acidente vascular cerebral (AVC) tendem a aumentar durante o verão em razão de fatores como calor intenso, desidratação e mudanças nos hábitos de vida. A avaliação é do neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro.
Segundo o especialista, o calor favorece a desidratação, o que torna o sangue mais espesso e aumenta a possibilidade de formação de coágulos. Esse processo está diretamente relacionado ao AVC isquêmico, responsável por cerca de 80% dos casos. Já o AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso cerebral, representa aproximadamente 20% das ocorrências.
Outro fator associado ao verão é a variação da pressão arterial. Com o calor, os vasos sanguíneos se dilatam, o que pode reduzir a pressão e favorecer arritmias cardíacas. Nessas situações, há maior risco de formação de coágulos no coração, que podem alcançar o cérebro, destino de cerca de 30% do fluxo sanguíneo que sai do órgão.
O médico também destaca que, durante as férias, é comum haver aumento do consumo de bebida alcoólica, esquecimento de medicamentos e menor controle de doenças crônicas, o que amplia o risco de AVC. Doenças típicas do verão, como gastroenterites, insolação e esforço físico excessivo, também contribuem para o quadro.
O tabagismo é apontado como um dos principais fatores externos associados ao AVC. A nicotina reduz a elasticidade dos vasos sanguíneos e favorece processos inflamatórios e o acúmulo de placas de colesterol, elevando o risco tanto de AVC hemorrágico quanto isquêmico. Maia observa ainda que o estilo de vida moderno tem levado ao aumento de casos em pessoas com menos de 45 anos.
Durante o verão, o Hospital Quali Ipanema atende cerca de 30 pacientes por mês com AVC, o dobro do registrado em outras épocas do ano. De acordo com o médico, o AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo e pode gerar sequelas motoras, de fala e de visão, impactando diretamente a vida familiar.
A prevenção inclui hábitos saudáveis, como prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle da pressão arterial, uso correto de medicamentos e abandono do tabagismo. O tratamento, segundo Maia, é eficaz quando iniciado rapidamente. A medicação intravenosa pode ser aplicada até quatro horas e meia após o início dos sintomas, enquanto procedimentos com cateter podem ser realizados, em casos selecionados, até 24 horas depois.
Entre os principais sinais de alerta estão paralisia súbita de um lado do corpo, dificuldade na fala, perda de visão, tontura intensa ou perda de consciência. Diante desses sintomas, a orientação é procurar atendimento hospitalar imediato, já que o AVC é uma emergência médica.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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