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A Ousadia de Fracassar
O DUELO SILENCIOSO
Atualizado há 153 dias
Na A Ousadia de Fracassar, enquanto refletia sobre a paixão, me veio à mente a história de Psique e Afrodite. Duas figuras da mitologia grega que, embora vivam em mundos diferentes, parecem dividir o mesmo corpo quando o amor entra em cena. Psique, símbolo da mente, da razão, da lucidez. Afrodite, deusa do amor, da beleza, da emoção que arde sem pedir licença.
Na lenda, Afrodite não aceita que Psique seja amada por Eros, seu filho. A mente não deveria se misturar com o coração. Mas o amor, como sabemos, não respeita hierarquias. Psique se apaixona, se entrega, e a razão começa a perder o controle. É aí que tudo se embaralha.
Lembrei-me de um trecho do filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, dos autores: Michel Gondry, Charlie Kaufman, Pierre Bismuth, com direção de Michel Gondry. Onde Joel, interpretado por Jim Carrey, diz: “Eu não vejo nada que eu não goste em você.” E Clementine, interpretada por Kate Winslet, responde: “Mas eu sou só uma ideia na sua cabeça.” A mente tenta entender, racionalizar, proteger. Mas o coração já foi. Já está lá, sangrando, sorrindo, esperando.
E quando o coração se apaixona, a mente entra em colapso. Começa a fazer perguntas sem resposta: “Será que é recíproco?”, “Será que vai durar?”, “Será que é amor ou carência?” Enquanto isso, Afrodite dança nua no peito, fazendo o sangue correr mais rápido, os olhos brilharem, e a lógica se perder.
Há uma música do João Bosco que diz:
“...O amor quando acontece, a gente esquece logo que sofreu um dia…”
E é isso. A paixão chega como um vendaval e varre as dores antigas. A mente tenta lembrar, tenta alertar: “Cuidado, já doeu antes.” Mas o coração responde com esperança. E mesmo marcado, mesmo ferido, ele pulsa:
“...O meu coração marcado tinha um nome tatuado que ainda doía, pulsava só a solidão…”
Mas quando a paixão acontece de novo, a memória se apaga. A dor vira poeira. E a gente se joga, como se fosse a primeira vez. Porque o amor tem esse poder: de fazer a mente esquecer e o coração acreditar.
Com isso me lembrei de uma música do roupa nova “Quando a paixão não dá certo, não há porque me culpar. Eu não me permito chorar, Já não vai adiantar e recomeço do zero Sem reclamar” (Porém quero desmembrar essa musica mais para frente. “Rs”)
E às vezes, quando tudo desmorona, a mente finalmente entende que não foi amor — foi projeção. Foi fantasia. Foi o desejo de preencher o vazio. E aí ecoa aquele verso como um espelho quebrado:
“...Quem é você, que eu não conheço mais? Me apaixonei pelo que eu inventei de você”
A mente quer segurança. O coração quer intensidade.
A mente quer respostas. O coração quer poesia.
A mente quer dormir em paz. O coração quer sonhar acordado.
E quando tudo dá errado — quando o amor não é correspondido, quando a saudade vira dor, quando o silêncio pesa mais que mil palavras — quem leva a culpa?
É Afrodite, que nos fez sentir demais? Ou Psique, que não soube nos proteger?
Ou será que a culpa é por tentar conciliar o inconciliável?
No fim, talvez o erro seja querer escolher entre mente e coração. Porque a paixão — esse caos bonito — é feita justamente do conflito entre as duas.
E enquanto não encontramos a resposta, seguimos vivendo entre o desejo de Afrodite e o raciocínio de Psique. Sentindo demais. Pensando demais. Amando como se fosse a primeira vez. Sofrendo como se fosse a última.
E você, leitor… de que lado está?
Texto de Paulo Martare

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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