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Estudos brasileiros avançam no diagnóstico de Alzheimer por exame de sangue
Exames de sangue podem permitir diagnóstico precoce e acessível.
Atualizado há 167 dias
Pesquisas lideradas por dois cientistas brasileiros (da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS) trouxeram avanços promissores para o diagnóstico precoce do Alzheimer por meio de exames de sangue. Os estudos, apoiados pelo Instituto Serrapilheira, destacam a proteína p-tau217 como biomarcador capaz de diferenciar indivíduos saudáveis de pessoas com a doença com alto grau de precisão.
Uma das pesquisas avaliou biomarcadores em sangue e líquor de 59 pacientes atendidos em clínicas de memória no Brasil, incluindo populações de baixa escolaridade, frequentemente sub-representadas em estudos internacionais. Os resultados mostraram que o p-tau217 plasmático apresentou desempenho superior a 90%, comparável ao exame de líquor, considerado padrão-ouro pela OMS. Os cientistas também observaram que a baixa escolaridade está associada a uma progressão mais rápida da doença.
“Exames de sangue para Alzheimer podem permitir a detecção em fases pré-demenciais, de forma mais acessível e com custos menores do que exames como o PET Scan”, afirmou Wyllians Borelli, pesquisador de pós-doutorado da UFRGS.
Os achados foram reforçados por uma revisão internacional publicada na revista Lancet Neurology, envolvendo mais de 110 estudos e cerca de 30 mil participantes, que confirmou o p-tau217 como o biomarcador mais promissor para detectar o Alzheimer. Entre os 23 autores da revisão, oito são brasileiros, incluindo Eduardo Zimmer e Wagner Brum, doutorando da UFRGS.
Segundo os pesquisadores, os resultados abrem caminho para que o exame de sangue possa ser incorporado à rede pública, democratizando o diagnóstico precoce e transformando a vida de milhares de brasileiros. Testes em escala nacional devem começar ainda em 2025, com resultados esperados em até dois anos.
O diagnóstico precoce do Alzheimer é um desafio global: a OMS estima que 57 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência, sendo 60% dos casos de Alzheimer. No Brasil, cerca de 1,8 milhão de pessoas são afetadas, número que pode triplicar até 2050.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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