Foto: Divulgação
“Veias Abertas” representa Maricá em festival internacional de cinema em Brasília
Longa de Fernando Mamari será exibido no dia 2 de maio, no Cine Brasília, durante festival com sessões gratuitas.
Atualizado ontem
O longa-metragem “Veias Abertas” (2026), do roteirista e diretor Fernando Mamari, foi totalmente filmado em Maricá e integra a Seleção Competitiva Internacional do Brasília International Film Festival (BIFF 2026). O evento acontece entre os dias 29/04 e 03/05 no Cine Brasília, com todas as sessões gratuitas.
Consolidado desde 2012 como uma das principais vitrines do cinema autoral contemporâneo, o BIFF recebeu mais de 800 inscrições de diversos países nesta edição. A curadoria destaca a diversidade estética e o protagonismo do cinema brasileiro na programação.
“Veias Abertas” será exibido no dia 02/05, às 21h. O filme tem 75 minutos, classificação 16 anos, e disputa a mostra competitiva ao lado de produções nacionais e internacionais.
Dirigido, roteirizado e produzido por Fernando Mamari, o longa conta com elenco formado por Kadu Moliterno, Alex Brasil, Timóteo Heiderick, João Raphael, Gabriela Rosas, Dayanna Maia, Mikaela Kowatsch, Ever Enciso, Daniel Dufau, Yussef Bento, Nino Batista e Pedro Cabizuca. A direção de produção é de Sonia Freitas, com fotografia de Leo Bandeira e Tuna Mayer.
A obra aborda a Guerra do Paraguai (1864–1870) a partir do encontro de três personagens de origens distintas, explorando conflitos históricos e culturais que marcaram a formação do Brasil. Segundo Mamari, a motivação para o projeto surgiu ainda durante o processo de pesquisa histórica.
“No processo de pesquisa, uma das coisas que motivou a seguir com o projeto foi descobrir que a guerra durou cinco anos. Mas, no primeiro ano, apesar de Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, o Paraguai estava vencendo. Então Dom Pedro II lançou o decreto ‘Voluntários da Pátria’, que possibilitava que senhores de terra enviassem seus escravizados para a guerra em troca da promessa de liberdade”, explicou o diretor.
Ele acrescenta que esse contexto histórico é central na narrativa: “Essas pessoas tiveram que ir lutar uma guerra para conquistar a sua liberdade. Esse é um elemento central no filme, que conta a história de um desses africanos escravizados no Brasil enviado para o conflito em busca dessa suposta liberdade”.
A ideia do longa também ganhou força durante uma viagem ao Paraguai, quando Mamari teve contato mais direto com a memória do conflito: “Me impressionou como os brasileiros sabem pouco sobre essa guerra trágica, que até hoje é muito debatida no Paraguai. Daí veio a vontade de abordar esse tema e levantar esse debate”.
Filmado integralmente em Maricá, o longa teve como principais locações a Restinga e a Aldeia Mata Verde Bonita. A escolha, segundo o diretor, se deu pela diversidade de paisagens do município: “A possibilidade de reproduzir um ambiente similar ao do Paraguai foi determinante, mas o envolvimento com o município foi além disso”.
Mamari destaca que a produção também impulsionou a formação de profissionais locais: “Criamos um processo de cadastro e formação de pessoas interessadas no audiovisual. Foi uma experiência de cinema sustentável, mostrando como o setor pode potencializar o desenvolvimento sociocultural”.
O diretor também ressaltou o apoio institucional recebido durante o projeto. Segundo ele, a produção contou com suporte de órgãos municipais e iniciativas voltadas à cultura, além da articulação de diferentes atores locais, o que viabilizou a realização do filme.
Outro destaque foi a experiência de gravação na Aldeia Mata Verde Bonita: “Foi um processo de construção de laços e significado. Como o filme aborda diretamente a questão indígena, foi importante fomentar esse debate com a comunidade e ver o interesse deles em participar”, relatou Mamari. Ele acrescenta que a parceria segue ativa, com novos projetos em desenvolvimento.
Veja a sinopse de Veias Abertas:
Makua, um líder tribal africano, é trazido como escravo para trabalhar nas fazendas de café do Brasil. Com o estalar da Guerra do Paraguai (1864 – 1870), Makua é enviado como Voluntário da Pátria para lutar no confronto em troca de sua liberdade. Na travessia conhece o inescrupuloso Capitão Vesânia e o indígena guarani Perurã. Juntos vivenciam os terrores da guerra no maior confronto armado da história da América do Sul. Ao final de uma sangrenta batalha, um grupo de voluntários foge assassinado um oficial e se apoderando de algumas armas. O pelotão de Capitão Vesania é enviado para capturar os desertores e Makua terá que enfrentar seu passado em troca de sua liberdade.
Sobre o diretor
Fernando Mamari é geógrafo pela UFRJ, mestre pela UNAM (México) e doutor pela UERJ e acumula experiência na gestão de projetos audiovisuais e na realização de documentários e filmes de ficção exibidos em mais de 10 países. Fundador da produtora Pajé Cultural, o diretor atua atualmente como curador e programador do Cine Henfil, em Maricá, além de coordenar a graduação em cinema da Escola de Comunicação e Design Digital (ECDD/Infnet).
Como roteirista, diretor e produtor executivo, já foi premiado por instituições nacionais e internacionais, com obras exibidas em festivais e plataformas como Amazon Prime Video, Apple TV e Canal Brasil. Seu longa “Níobe” está disponível em serviços de streaming, enquanto “Veias Abertas” marca seu terceiro filme de ficção, atualmente em fase de distribuição.
Mamari desenvolve projetos que articulam cinema, arte, educação e direitos humanos, além de parcerias com organizações como BID, ONU/ACNUR e Fiocruz.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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