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Banco Central liquida Banco Master após sinais de insolvência e investigação por fraude bilionária
Instituição já enfrentava desconfiança do mercado e tentativas frustradas de venda.
Atualizado há 122 dias
A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central no dia 18/11, e a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, encerram uma trajetória marcada por sucessivos alertas sobre a saúde financeira da instituição. Fundado em 1974, o Master se reinventou ao longo das décadas e ganhou tração recente ao oferecer produtos com rentabilidade muito acima do mercado (justamente o sinal que acendeu a luz vermelha para reguladores e investidores).
A partir de 2022, o banco passou a enfrentar dificuldades crescentes de captação. Com o encarecimento dos empréstimos interbancários e a perda de acesso a crédito barato, a instituição recorreu ao investidor pessoa física, oferecendo CDBs (Certificado de Depósito Bancário, um investimento de renda fixa onde você empresta dinheiro ao banco e recebe juros por isso) que chegavam a 140% (e, no mercado secundário, até 177%) do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, é o título que os bancos usam para emprestar dinheiro uns aos outros por um dia útil, para equilibrar seus caixas no fim do dia). Segundo especialistas, taxas tão altas indicavam que o banco precisava captar recursos rapidamente para manter as operações.
Enquanto isso, tentativas de venda para compradores como o Banco de Brasília (BRB) e, mais recentemente, um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, travaram diante de questionamentos sobre transparência e riscos. No início deste ano, o Master recebeu R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em linhas emergenciais, renovadas mais de uma vez, em meio às dificuldades de caixa.
As suspeitas se ampliaram com investigações da Polícia Federal, que apuram a “fabricação” de carteiras de crédito e a emissão de CDBs sem lastro suficiente. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o esquema investigado pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. Entre as irregularidades apontadas, está a venda ao BRB de créditos adquiridos sem pagamento prévio e sem documentação completa, em meio às negociações para compra do próprio banco.
Com a liquidação, todas as operações do Master foram suspensas e um liquidante nomeado pelo Banco Central assumirá o levantamento de bens, dívidas e credores. Todos os passivos vencem antecipadamente, e clientes com depósitos, CDBs, LCIs, LCAs e poupança terão cobertura do FGC até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Investidores com valores superiores entram na fila da massa falida. Fundos de investimento seguem funcionando, mas com troca de administrador.
Para especialistas, o caso do Master evidencia o risco crescente de instituições que oferecem taxas amplamente discrepantes em relação ao mercado. Condutas como captação agressiva, exposição a ativos de baixa liquidez e deterioração rápida de indicadores foram citadas como sinais ignorados por parte dos investidores. A apuração conduzida pela PF pode resultar em responsabilização por gestão fraudulenta, gestão temerária, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A liquidação encerra um ciclo de deterioração que o mercado já acompanhava de perto. Para os clientes, o momento agora é de aguardar o processo conduzido pelo liquidante e os pagamentos do FGC, enquanto o Banco Central aprofunda as investigações sobre a quebra e possíveis irregularidades na gestão do conglomerado.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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