Nepal enfrenta revolta histórica da “Geração Z” após bloqueio de redes sociais e crise política
A esposa do ex-premiê foi queimada viva, outras 25 pessoas morreram de diversas maneiras e mais de 600 estão feridas.
Atualizado há 200 dias
Katmandu foi palco de uma onda de protestos sem precedentes entre segunda (8) e terça-feira (9), quando milhares de jovens nepaleses, em sua maioria da chamada “Geração Z”, tomaram as ruas contra o governo. O estopim foi o bloqueio das redes sociais, medida vista como tentativa de silenciar campanhas anticorrupção online.
As manifestações, marcadas por violência e caos, resultaram na renúncia do primeiro-ministro Khadga Prasad Oli. Prédios governamentais, casas de ministros e até a residência de ex-primeiros-ministros foram incendiados. A esposa de Jhala Nath Khanal morreu após sofrer queimaduras graves em um dos ataques. Ao menos 19 pessoas foram mortas e mais de 100 ficaram feridas nos confrontos.
O movimento ganhou força diante da desigualdade social e da ostentação de políticos em contraste com a pobreza da população. Segundo o Banco Mundial, um em cada cinco nepaleses vive na pobreza, enquanto 22% dos jovens de 15 a 24 anos estão desempregados. Muitos recorrem à migração para sustentar suas famílias.
A revolta vinha sendo organizada há três meses em campanhas digitais que denunciavam escândalos de corrupção e exibiam o luxo dos filhos da elite política. Com o bloqueio de plataformas como Facebook e Instagram, os jovens migraram para Viber e TikTok, de onde partiram os chamados para os protestos.
Os manifestantes incendiaram a sede do governo, o Parlamento e a Suprema Corte, fechando inclusive o aeroporto internacional de Katmandu, usado por turistas que buscam o monte Everest. Civis armados circularam pelas ruas em meio à destruição.
O prefeito da capital, Balendra Shah, de 35 anos, figura popular entre os manifestantes, pediu calma após a queda de Oli, mas destacou que “a geração que derrubou os opressores terá que liderar o país”.
O Nepal, governado pelo presidente Ram Chandra Poudel, vive sua pior crise em décadas. A democracia, instaurada apenas em 2008 com a queda da monarquia, é considerada frágil, mas o país figura no Índice de Democracia de 2025 como uma democracia eleitoral, no mesmo patamar de Brasil e Argentina.
Mesmo após a renúncia do premiê, os protestos continuam, e o país permanece em estado de convulsão social.

Yasmim Celestino
Jornalista do Jornal Gazeta
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