Menu

Imagem da notícia Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) reprime ações criminosas em terras indígenas/Foto: Divulgação

Garimpo ilegal e facções voltam a ameaçar terra indígena no Mato Grosso

Documentos da Funai indicam retomada do garimpo, expansão do Comando Vermelho e risco de conflitos armados após operação federal.

Atualizado há 94 dias

O avanço do garimpo ilegal e a atuação de facções criminosas voltaram a ameaçar a Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, em 2025, mesmo após uma operação federal realizada no segundo semestre do ano. Relatórios internos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) apontam a presença do Comando Vermelho (CV) no território e o aumento da violência na região.

De acordo com os documentos enviados ao governo federal entre outubro e dezembro, a Operação Xapiri não conseguiu conter de forma duradoura a atividade ilegal. Poucas semanas após o encerramento da ação, garimpeiros retornaram em grande número, impulsionados principalmente pela valorização do ouro no mercado.

Vista panorâmica da invasão do CV em terras indígenas/Foto: Divulgação
Vista panorâmica da invasão do CV em terras indígenas/Foto: Divulgação

A Funai relata que os grupos atuam de maneira organizada, com logística contínua para entrada de combustível, alimentos e insumos usados na construção de estruturas improvisadas dentro da terra indígena. A movimentação ocorre inclusive à noite, o que dificulta a fiscalização e amplia a sensação de insegurança entre as comunidades.

Os ofícios descrevem um cenário de violência extrema, com registros de assassinatos, chacinas e ataques contra agentes públicos. Há relatos de confrontos armados, circulação de fuzis, uso de explosivos e tentativas de cooptação de indígenas para esconder armas ou facilitar o acesso dos criminosos às aldeias.

Informações de inteligência citadas nos relatórios indicam a expansão do Comando Vermelho e disputas entre facções rivais pelo controle dos pontos de extração ilegal de minério. A presença do grupo criminoso teria levado garimpeiros a contratar seguranças armados, formando estruturas semelhantes a milícias privadas.

Estruturas de garimpo ilegal construídas por facções criminosas em terras indígenas/Foto: Divulgação
Estruturas de garimpo ilegal construídas por facções criminosas em terras indígenas/Foto: Divulgação

Em um dos documentos, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estima que um único garimpo sob influência do CV concentre cerca de dez fuzis. Um delegado da Polícia Federal, citado nos relatórios, classifica o processo como uma “mexicanização” do território, em referência ao domínio armado exercido por organizações criminosas.

A Funai também aponta o agravamento da situação dentro das aldeias, com ameaças a lideranças indígenas e o uso das rotas de acesso às comunidades por criminosos. Há ainda indícios de que grupos que deixaram a região durante a operação federal já planejavam retornar com maior intensidade.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

Comentários (0)

Veja também

Mais

lidas
  1. 1
    Carro usado no sequestro de jovem em Itaipu é encontrado carbonizado em
  2. 2
    Corpo de idoso desaparecido em Maricá é encontrado na Estrada da Restinga
  3. 3
    Denúncia expõe trama política e familiar contra Paulo Melo
  4. 4
    Homem é preso após agredir idosa para roubar cerveja em Nova Iguaçu
  5. 5
    Homem é encontrado morto com marcas de tiros na restinga de Maricá
Mais do Gazeta