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Países endossam Pacote de Belém e ampliam metas de adaptação até 2035 após COP30
Ministra Marina Silva e líderes globais destacam ganhos políticos e estruturais.
Atualizado há 125 dias
A COP30 foi concluída neste sábado (22/11) com a aprovação, por consenso, do Pacote de Belém, um conjunto de 29 decisões que amplia compromissos globais em financiamento, adaptação, transição justa, gênero e tecnologia. O acordo, aprovado por 195 países, reforça a urgência de ações alinhadas à vida cotidiana das populações e ao fortalecimento do regime climático.
O presidente da conferência, André Corrêa do Lago, afirmou que o momento marca “o início de uma década de mudança”, destacando que o espírito do encontro deve reverberar em diferentes esferas sociais e institucionais. Na plenária final, a ministra Marina Silva foi ovacionada ao apresentar um balanço das negociações, enfatizando avanços como o reconhecimento de povos indígenas e comunidades tradicionais, a consolidação da transição justa e o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre.
De acordo com Marina, 122 países apresentaram NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) atualizadas com metas até 2035, o que representa um passo relevante para o multilateralismo climático, apesar da falta de consenso sobre um Mapa do Caminho para eliminar combustíveis fósseis.
Em coletiva após o G20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira avaliaram como positivas as conquistas do encontro. Vieira citou três pilares: fortalecimento do multilateralismo climático, triplicação de recursos para adaptação e apoio ampliado à transição justa. Lula destacou o legado político e urbano deixado em Belém e a relevância de iniciar o debate global sobre o fim dos combustíveis fósseis.
O Pacote de Belém prevê triplicar o financiamento da adaptação até 2035 e sustenta a necessidade de aumentar o apoio a países em desenvolvimento. As delegações concluíram ainda o Roteiro de Adaptação de Baku e aprovaram 59 indicadores voluntários ligados à Meta Global de Adaptação, cobrindo áreas como água, saúde, ecossistemas, infraestrutura e finanças.
Entre as iniciativas aprovadas, o mecanismo de transição justa coloca equidade e pessoas no centro das estratégias climáticas, enquanto o novo Plano de Ação de Gênero amplia a liderança de mulheres indígenas, afrodescendentes e rurais, além de aumentar o orçamento para políticas sensíveis ao tema.
A conferência endossou ainda ações de implementação, como o Acelerador Global de Implementação e a Missão Belém para 1,5°C, voltados ao apoio direto à execução das NDCs e planos nacionais. No campo do financiamento, iniciativas prometem destravar investimentos de até US$ 1 trilhão em adaptação, enquanto o fundações anunciaram aportes focados em agricultores e resiliência climática.
A agenda florestal ganhou destaque com o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que já mobilizou US$ 6,7 bilhões e inaugura um modelo de remuneração contínua pela preservação de florestas tropicais. O RAIZ, voltado à restauração de áreas agrícolas degradadas, também recebeu apoio de dez países.
No eixo oceânico, 17 países aderiram ao Desafio Azul NDC, fortalecendo a integração de soluções oceanográficas às NDCs. A Parceria Um Oceano prevê catalisar US$ 20 bilhões até 2030 para conservação marinha e gerar 20 milhões de empregos de base oceânica.
A COP30 registrou participação expressiva de povos indígenas e movimentos sociais, reforçando o vínculo entre justiça climática e dignidade. A presidência brasileira anunciou que manterá o impulso das negociações até 2026, com foco em conectar decisões internacionais à realidade das populações.
A próxima edição da conferência será realizada na Austrália.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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