Explosão do foguete HANBIT-Nano/Foto: Reprodução
Primeiro voo comercial de foguete no Brasil termina em explosão
Falha ocorreu durante missão não tripulada, com carga científica.
Atualizado há 96 dias
O foguete sul-coreano HANBIT-Nano explodiu na noite desta segunda-feira (22/12), após ser lançado às 22h13 do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O episódio marcou o primeiro voo comercial de um foguete realizado em território brasileiro. A missão era não tripulada e havia sido adiada anteriormente por condições climáticas desfavoráveis.
Durante a transmissão ao vivo, a equipe responsável informou a ocorrência de uma anomalia com a mensagem “We experienced an anomaly during the flight”. Pouco depois, o sinal foi interrompido. As imagens acompanharam a trajetória do foguete por pouco mais de um minuto, com registros feitos por duas câmeras instaladas nos estágios do veículo.
Nesse intervalo, foi possível observar o HANBIT-Nano ultrapassando Mach 1, quando supera a velocidade do som, e avançando até o chamado ponto de Max Q, fase em que o foguete enfrenta a maior pressão aerodinâmica ao atravessar a atmosfera. Após esse momento, a transmissão foi cortada pela empresa Innospace, responsável pelo lançamento.
Equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Corpo de Bombeiros do CLA foram enviadas para avaliar os destroços e a área da queda, localizada em uma região pertencente à base de Alcântara. Não houve registro de feridos.
O foguete transportava experimentos científicos e dispositivos tecnológicos destinados a pesquisas conduzidas por instituições do Brasil e da Índia. Com 21,9 metros de altura, 20 toneladas e 1,4 metro de diâmetro, o HANBIT-Nano poderia atingir até 30 mil km/h em sua trajetória rumo à órbita terrestre — velocidade cerca de 30 vezes maior que a de um avião comercial.
Batizada de Spaceward, a missão foi coordenada pela FAB e pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e tinha como objetivo colocar em órbita cinco satélites e três dispositivos científicos. A AEB informou que a Innospace firmou contrato de prestação de serviços com o governo brasileiro pelo valor mínimo de retribuição ao Estado, sem previsão de lucro.
Construído na década de 1980, o Centro de Lançamento de Alcântara é considerado estratégico por estar próximo à Linha do Equador, o que reduz o consumo de combustível e os custos das operações espaciais. A localização também oferece baixa densidade de tráfego aéreo, proximidade com o litoral e ampla variedade de inclinações orbitais possíveis.
Apesar das vantagens geográficas, o CLA permaneceu subutilizado por décadas. Entre os fatores estão o acidente ocorrido em 2003, quando a explosão do foguete VLS-1 matou 21 trabalhadores civis, e os conflitos fundiários envolvendo comunidades quilombolas da região, que resultaram em disputas judiciais prolongadas e chegaram a instâncias internacionais.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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