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Imagem da notícia Foto: Marcos Paixão (Sejupp Maricá)

Indígenas, negros e LGBTQI+ discutem desafios e resistências na FLIM

Indígenas, negros e LGBTQI+ discutem desafios e resistências na FLIM

Atualizado há 198 dias

Participantes apontam que preconceito é estrutural e educação deve ser ferramenta de transformação.

O Festival Literário Internacional de Maricá (FLIM) sediou, nesta quinta-feira (11), o debate “Caminhos Antirracistas e Plurais na Educação”, que reuniu Martinha Mendonça, Mayza, Sarah (SOMAR), Vitor Nunes (UMES) e Kmila CDD, sob mediação de Vanessa Andrade. O encontro promoveu reflexões sobre as trajetórias, desafios e resistências de mulheres, populações indígenas, negras e LGBTQI+ no Brasil.

Um dos pontos centrais foi a defesa de que o racismo vai além da vivência negra, afetando também indígenas e outras minorias. Lideranças indígenas relataram hostilidades sofridas por crianças ao deixarem as aldeias, muitas vezes alvo de sons e gestos caricatos, enquanto a população preta segue criminalizada e submetida a violência institucional. Foi apresentado o conceito de “racismo recreativo”, que trata do deboche às particularidades raciais, como o sotaque e os costumes, prática que, segundo os debatedores, ainda é naturalizada em ambientes sociais e até mesmo educacionais.

Os participantes reforçaram que a educação antirracista deve ser prioridade e não utopia. “Educação, possibilidades e caminhos. O preconceito já é conhecido”, disse uma das falas, lembrando que populações discriminadas crescem desde cedo conhecendo a violência e precisam criar mecanismos de sobrevivência, muitas vezes sem conseguir exercer plenamente suas potencialidades. Também foi criticado o chamado “racismo da ausência”, caracterizado pela exclusão de determinados grupos de espaços de decisão, representação e conhecimento.

Outro ponto destacado foi a valorização dos saberes tradicionais, acumulados por comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas, que transmitem conhecimento secular sobre preservação ambiental e modos de vida sustentáveis. “Não existe sustentabilidade sem justiça social”, enfatizaram, lembrando que essas mesmas populações, responsáveis por manter práticas ecológicas, seguem descreditadas e hostilizadas.

Do ponto de vista cultural, ressaltou-se a música como instrumento político e de visibilidade, especialmente o rap, que narra o cotidiano da população preta e fortalece o sentimento de pertencimento. Também houve críticas à ausência de representatividade LGBTQI+ e à distância entre a juventude preta e a literatura, que raramente retrata sua realidade.

Educadores presentes destacaram que o racismo estrutural se manifesta de forma intensa dentro das salas de aula, tornando-se um desafio que os professores muitas vezes não conseguem gerenciar sozinhos. Foi defendido que dar oportunidade e conhecimento é essencial para o combate ao preconceito: “É preciso conhecer para pertencer”.

Representantes indígenas relataram a necessidade de “guaranizar” os currículos escolares, inserindo oralidade, língua, costumes e história de cada etnia, em contraposição à visão da escola como “embaixada do branco” dentro da aldeia. A adoção de professores nativos foi defendida como medida fundamental para preservar territórios, identidades e culturas.

O debate foi encerrado com uma homenagem à escritora Conceição Evaristo, referência da literatura negra brasileira, reconhecida por dar voz às memórias e experiências de mulheres pretas.

Foto do Jornalista

Sara Celestino

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