Foto: Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Saúde do RJ
Espaço Multivioleta amplia atendimento a vítimas de violência no Rio
O atendimento ocorre independentemente de registro policial.
Atualizado há 76 dias
O Espaço Multivioleta, instalado no Hospital Estadual da Mulher Heloneida Studart (HMulher), em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, vem se consolidando como referência no atendimento e no acolhimento a mulheres vítimas de violência. Apenas em 2025, entre janeiro e novembro, 442 mulheres vítimas de violência física, psicológica, moral, patrimonial e sexual passaram pelo serviço.
Inaugurado em julho de 2024, o Espaço Multivioleta oferece consultas com ginecologista e atendimento psicossocial. Nos casos de violência sexual, o acolhimento é realizado por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, que atuam de forma integrada para evitar que a vítima tenha que repetir o relato e reviver o trauma. A unidade também realiza exames previstos no protocolo de atendimento à violência sexual, além da administração de medicação para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e da pílula do dia seguinte.
De acordo com a coordenadora do Serviço de Psicologia do HMulher, Maria Luiza Corrêa Cordeiro, muitas mulheres não reconhecem, inicialmente, que vivem em situação de violência: “Em muitos casos, o primeiro lugar onde as mulheres conseguem falar sobre o abuso sofrido é no hospital, enquanto recebem atendimento, por isso é importante que o profissional de saúde esteja atento para identificar possíveis situações de violência, que não tenham sido declaradas no primeiro momento. Isso pode ser determinante na interrupção deste ciclo na vida da mulher”.
A psicóloga também chama atenção para a obrigatoriedade da notificação dos casos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Segundo ela, o registro é um dever legal e ético dos profissionais de saúde e contribui para a prevenção da escalada da violência, além de garantir sigilo e proteção à vítima e à família. As pacientes são informadas de que a conversa é confidencial, com quebra de sigilo apenas quando necessária para proteger a vida da mulher.
Maria Luiza enfatiza que o atendimento em saúde não depende do registro de ocorrência policial; a mulher recebe todas as informações e apoio necessários para decidir de forma autônoma sobre os próximos passos: “A assistência integral à saúde da mulher em situação de violência envolve a disposição do profissional em se comprometer com uma ética do cuidado que realmente passe ao largo do preconceito e da discriminação, sobretudo de classe, raça e sexualidade”.
O Espaço Multivioleta integra o programa federal Antes que Aconteça, que oferece uma rede de apoio a mulheres vítimas de violência doméstica. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), em parceria com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e a Secretaria de Estado de Segurança Pública. Por meio da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, casos também são encaminhados para atendimento na unidade.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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