Prefeito de Maricá e vice-presidente do PT-BR, Washington Quaquá/ Foto: Reprodução
“Paz e porrada”: Prefeito de Maricá pede ação contra o tráfico e políticas sociais
Em postagem nas redes, o vice-presidente do PT-BR lamentou corpos na Penha, pediu união entre governos e defendeu educação e emprego.
Atualizado há 149 dias
O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Washington Quaquá, manifestou-se nesta quarta-feira (29/10) em suas redes sociais sobre a megaoperação policial realizada na terça (28/10) nas comunidades do Complexo da Penha e do Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Em postagem oficial, Quaquá classificou as imagens dos corpos enfileirados como “lamentáveis” e destacou a necessidade de ação coordenada entre Estado, União e Prefeituras.
Em sua fala, o prefeito afirmou: “Minha gente, que lamentável, que triste, aquela foto daqueles corpos enfileirados lá no Complexo da Penha. Ninguém pode ficar feliz com aquilo.” Ele relatou ter ouvido um pai que dizia ter dado “diversos conselhos ao filho” e que, apesar disso, o jovem “continuou andando com bandidos e acabou sendo morto naquela operação”.
Quaquá atacou a condução da ação e atribuiu parte do problema à tentativa do governador de “entrar tentando jogar sozinho, e botando culpa no Governo Federal”, que, segundo ele, é um equívoco. Para o prefeito, operações desse porte deveriam ser planejadas com “união” entre Governo do Estado, Prefeituras, Governo Federal e Municípios da região metropolitana: “Uma operação para transformar a vida do povo do Rio de Janeiro, pra acabar com o narcotráfico, tem que ser uma operação em que o Governo do Estado, Prefeitura, Governo Federal, todos se unam”, disse.
O prefeito defendeu, ainda, que a ação policial poderia ter sido conduzida com mais planejamento: “fechando todo o morro e indo aos poucos dominando o território”, em vez de uma intervenção com maiores riscos à vida. Apesar das críticas à forma da operação, Quaquá enfatizou o luto pelas vítimas: “Eu fico consternado com as mortes, e sobretudo a morte dos policiais, que são as primeiras que nós temos que lamentar (quatro policiais mortos, quatro famílias de heróis do estado brasileiro que perderam a vida numa operação dessa).”
Ao comentar as baixas entre civis, o prefeito apontou que houve “alguns inocentes” mortos, mas disse que “a grande maioria” eram pessoas armadas: “ninguém enfrenta fuzil com beijinhos, se enfrenta fuzil dando tiro em quem está com fuzil. Então, quem morreu no meio da mata portando fuzil, morreu numa guerra.” Ainda assim, defendeu que o território não pode “ser um território de guerra” e listou medidas além da repressão: urbanização, cultura, ensino técnico, apoio ao empreendedorismo e aos aparelhos culturais para oferecer alternativas aos jovens.
“Tem que ter futuro. Têm que ter ensino técnico. tem que ter apoio ao empreendedorismo… para que a imensa criatividade desses jovens seja utilizada para o bem, e não para o crime”, argumentou Quaquá, conclamando à “paz” e, nas suas palavras, também à “porrada em quem precisa”, numa expressão que mistura a defesa de políticas sociais com a defesa de ação enérgica contra o tráfico.
A manifestação do prefeito acrescenta tensão ao debate público sobre a operação, ao combinar críticas à execução tática com apelos por coordenação institucional e medidas sociais. A declaração também coloca em evidência um dilema frequente nas grandes cidades brasileiras: a necessidade de ações policiais para combater grupos armados e, ao mesmo tempo, a urgência de políticas públicas estruturantes que reduzam a captura de jovens pelo tráfico.
Contexto
A megaoperação ocorreu nas comunidades da Penha e do Alemão, áreas marcadas por presença de organizações criminosas e por episódios recorrentes de violência. Autoridades estaduais normalmente lideram operações de grande escala nesses locais, mas a articulação com prefeituras e órgãos federais tem sido pauta de críticas em diferentes momentos, sobretudo quando o resultado das ações inclui vítimas civis e agentes de segurança.
Veja o depoimento do prefeito no link: https://www.instagram.com/reel/DQaA7tkCTK4/?igsh=MWtqajE0ajdwMTFyYQ%3D%3D
Ao finalizar sua fala, o prefeito pediu que o episódio “sirva de lição” tanto pelas falhas identificadas quanto pelas medidas de prevenção necessárias, e chamou para uma combinação de firmeza repressiva com políticas públicas que promovam inclusão e emprego.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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