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Erro médico leva mulher a quimioterapia desnecessária e indenização milionária
Paciente passou anos em tratamento após diagnóstico incorreto de câncer.
Atualizado há 76 dias
Uma mulher italiana passou quase cinco anos em tratamento contra um câncer que nunca existiu e teve sua vida profundamente afetada por um erro de diagnóstico médico. O caso terminou com a condenação de um hospital universitário ao pagamento de 470 mil euros, valor que ultrapassa R$ 2,5 milhões na cotação atual.
A situação teve início em 2006, quando a paciente, então com 47 anos, buscou atendimento para uma cirurgia ortopédica de rotina. Exames pré-operatórios apontaram alteração no número de glóbulos brancos, levando ao adiamento do procedimento e ao encaminhamento para avaliação especializada. Após biópsias da medula óssea e do intestino, médicos diagnosticaram um linfoma não Hodgkin do tipo MALT, um câncer de evolução lenta.
Convencida da gravidade do quadro, a mulher iniciou em 2007 um tratamento prolongado com quimioterapia, corticoides e esteroides. Durante esse período, enfrentou efeitos físicos severos, como fadiga crônica e limitações funcionais, além de impactos psicológicos profundos. A rotina profissional também foi comprometida: ela reduziu drasticamente o trabalho como corretora de seguros e chegou a perder temporariamente a carteira de habilitação por não apresentar condições clínicas para dirigir.
A reviravolta ocorreu em 2011, quando a paciente buscou uma segunda opinião em um hospital de Gênova. Novos exames e biópsias descartaram completamente a presença de câncer, concluindo que a doença jamais existiu.
Sem acordo extrajudicial, o caso foi levado à Justiça. O hospital alegou complexidade clínica e sustentou que os tratamentos adotados seguiam as informações disponíveis à época. No entanto, um laudo pericial independente apontou a inexistência de provas que justificassem o diagnóstico e o uso prolongado de quimioterapia.
A Corte de Apelação de Florença reconheceu que os tratamentos foram desnecessários e prejudiciais, elevando o valor da indenização inicialmente fixada. O tribunal reconheceu 60% de invalidez permanente, além de danos morais, emocionais, profissionais e funcionais.
Na decisão, os magistrados destacaram o sofrimento extremo causado pela falsa crença de estar em estágio terminal de um câncer, condição que acompanhou a mulher por anos e alterou de forma definitiva sua vida pessoal e profissional. O caso chama atenção para a gravidade dos erros de diagnóstico e os impactos irreversíveis que decisões médicas equivocadas podem provocar, mesmo em hospitais de alta complexidade.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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