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Imagem da notícia Remoção forçada de Glauber Braga/Foto: Reprodução

Ação da Polícia Legislativa contra Glauber provoca crise política e expulsão da imprensa na Câmara

Deputado ocupou cadeira da Presidência em protesto contra processo de cassação; imprensa foi retirada do plenário e transmissão oficial saiu do ar durante ação policial.

Atualizado há 109 dias

A tarde desta terça-feira (09/12) foi marcada por forte tensão na Câmara dos Deputados. O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força da cadeira da Presidência por agentes da Polícia Legislativa, após ocupar o assento como forma de protesto contra a decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar para esta semana o processo de cassação de seu mandato.

O ato de Glauber ocorreu antes da sessão que votaria o PL da Dosimetria, projeto que altera regras de penas aplicadas a Jair Bolsonaro (PL) e a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Antes da retirada do deputado, Motta determinou o esvaziamento do plenário, impedindo a entrada da imprensa e ordenando que a TV Câmara interrompesse a transmissão, o que causou indignação entre parlamentares e jornalistas.

Imagens internas mostram Glauber resistente à abordagem dos policiais legislativos, enquanto deputados registram a cena e protestam. Jornalistas e assessores foram empurrados para fora do plenário, e o acesso ao espaço ficou restrito aos parlamentares.

Após a ação, profissionais de imprensa relataram agressões e bloqueio deliberado da cobertura. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) e o próprio Glauber registraram boletim de ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, afirmando que foram agredidos durante o tumulto e responsabilizando Hugo Motta pelo aparato de segurança.

Sentado na cadeira da Presidência, Glauber declarou que permaneceria “até o limite das forças”. Ele afirmou ter pedido ao presidente da Câmara “1% do tratamento” concedido aos deputados bolsonaristas que ocuparam a Mesa Diretora em agosto, em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.

O deputado é alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar, acusado de expulsar aos chutes o militante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro, em abril de 2024, após o influenciador fazer insinuações sobre sua mãe, então doente e falecida dias depois. É a quinta representação contra ele, sendo que as anteriores foram arquivadas.

Em pronunciamento, Hugo Motta disse que a ocupação “desrespeita a Câmara e o Poder Legislativo”. Ele citou o Ato da Mesa nº 145, que autoriza a suspensão de acesso a áreas internas da Casa por motivos de segurança, justificando a retirada do parlamentar e a expulsão da imprensa.

Motta lembrou que Glauber já havia ocupado uma comissão por mais de uma semana durante uma greve de fome, classificando o ato como reincidente e contrário ao regimento. O presidente da Câmara afirmou que determinou apuração sobre eventuais excessos cometidos por policiais legislativos contra jornalistas durante o episódio.

Com o tumulto, a sessão do plenário foi cancelada no meio da tarde. Ainda assim, Motta reabriu a ordem do dia por volta das 19h30.

O pedido de cassação de Glauber está previsto para ser votado nesta quarta-feira (10/12), na mesma sessão que analisará o processo da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Já o caso de Alexandre Ramagem (PL-RJ) deve ser apreciado na semana seguinte.

As decisões caberão ao plenário da Câmara, em meio a uma semana marcada por mobilização política, protestos internos e questionamentos sobre transparência e liberdade de imprensa dentro da Casa Legislativa.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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