Foto: Divulgação
Maior comunidade quilombola do Brasil é tema da mostra 'Kalunga' no Rio
Mostra apresenta 29 fotografias de Gustavo Minas e Orestes Locatel, revelando a vida, cultura e resistência da comunidade Kalunga, em Goiás
Atualizado há 167 dias
A maior comunidade quilombola do Brasil, os Kalungas, é o tema da exposição “Kalunga”, que entra em cartaz no Museu dos Pretos Novos, na Gamboa, Rio de Janeiro. A visitação pública começa em 14 de outubro, a partir das 10h, e a cerimônia oficial de abertura será realizada na sexta-feira (17), às 19h.
Com curadoria dos fotógrafos Gabriel Lordello e Tadeu Bianconi, a mostra propõe um diálogo entre os trabalhos de Gustavo Minas e Orestes Locatel, dois artistas de gerações distintas que voltaram suas lentes para o cotidiano e a espiritualidade do povo Kalunga, no interior de Goiás.
Dois olhares sobre o mesmo território
O fotógrafo Orestes Locatel iniciou sua documentação da comunidade em 2000. Seu trabalho já foi exibido na Bienal de Fotografia de Liège, na Bélgica, e na mostra “Black Is Beautiful”, na Bienal de Fotografia de Amsterdã, além de exposições individuais em Bruxelas (Bélgica), Sófia e no Museu de Varna (Bulgária).
Já Gustavo Minas, premiado internacionalmente por sua fotografia de rua, retratou os Kalungas em duas viagens realizadas em 2023 e 2024, durante a tradicional Romaria de Nossa Senhora da Abadia, também conhecida como Festa do Império Kalunga. Essa é a primeira vez que o fotógrafo apresenta publicamente esse trabalho.
“Já conhecíamos as imagens do Locatel e sabíamos que nunca haviam sido apresentadas no Brasil. Quando o Gustavo veio a Vitória e vimos seu trabalho recente na mesma região, pensamos em reunir essas duas visões singulares dessa comunidade tão distante para a maioria das pessoas. O resultado é uma coleção inédita e belíssima”, explica o curador Gabriel Lordello.
Diálogo entre gerações e linguagens
A exposição reúne 29 fotografias em pequeno formato: as coloridas, de Minas, contrastam com as em preto e branco, de Locatel.
“É interessante ver como cada um desenvolve uma narrativa própria. Locatel, com uma linguagem mais clássica e documental, utiliza fotografia analógica. Já Gustavo apresenta um olhar contemporâneo e espontâneo. Pensamos nesse diálogo para valorizar o trabalho autoral e, sobretudo, dar visibilidade a essa comunidade quilombola histórica, que precisa ser reconhecida e preservada”, destaca o curador Tadeu Bianconi.
Os fotógrafos
Gustavo Minas nasceu em Cássia (MG) e vive em Brasília. Estudou fotografia com Carlos Moreira, Gueorgui Pinkhassov e Nikos Economopoulos. Em 2025, venceu o Pictures of the Year Latin America (POY Latam) na categoria Ensaio, com a série “Festa do Império Kalunga”. Também venceu o prêmio em 2017, e foi finalista do Leica Oskar Barnack Award em 2023. Publicou dois livros: “Maximum Shadow, Minimal Light” (2019) e “Liquid Cities” (2024).
Orestes Locatel, carioca, começou a fotografar aos sete anos. Formado em Jornalismo pela UFES, integrou a equipe de fotógrafos da revista Manchete (Bloch Editores) nos anos 1990. Atuou também com fotografia publicitária e editorial, e hoje se dedica a projetos autorais e exposições no Brasil e no exterior.
Sobre a comunidade Kalunga
Com 262 mil hectares, o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga é o maior território quilombola do país. Em 2021, foi reconhecido pela ONU como o primeiro território brasileiro conservado integralmente por sua própria comunidade — com 83% da vegetação nativa preservada.
Localizado entre três municípios de Goiás, o quilombo abriga 56 comunidades e mais de 8 mil habitantes, descendentes de escravizados que fugiram das minas de ouro no século XVIII.
A economia é baseada na agricultura de subsistência, no extrativismo e no ecoturismo. O isolamento geográfico garantiu a preservação de tradições culturais seculares, como as festas religiosas que unem moradores de todo o território.
Serviço
Exposição fotográfica: Kalunga, de Gustavo Minas e Orestes Locatel
Abertura para visitação: 14 de outubro, a partir das 10h
Cerimônia oficial: 17 de outubro, às 19h
Local: Museu dos Pretos Novos — Rua Pedro Ernesto, 32-34, Gamboa, Rio de Janeiro (RJ)
Contato: (21) 96465-9983
Visitação: Terça a sexta, das 10h às 16h; sábado, das 10h às 13h
Entrada gratuita

Yasmim Celestino
Repórter-fotográfica, atuando na produção de conteúdo com objetivo de compartilhar a melhor informação para manter você bem-informado! E-mail. gazetarj@gmail.com
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