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Ressurgimento dos Panteras Negras marca protestos contra polícia nos EUA

Movimento reaparece na Filadélfia em resposta à violência policial e à política imigratória.

Atualizado há 73 dias

O aumento da violência policial nos Estados Unidos e o agravamento das tensões em torno da política imigratória impulsionaram o reaparecimento dos Panteras Negras em ações de rua. Um vídeo que circulou amplamente nas redes sociais mostra integrantes da nova geração do Partido dos Panteras Negras confrontando policiais durante patrulhas comunitárias na Filadélfia.

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Segundo reportagem do Philadelphia Inquirer, o grupo afirma ter sido reorganizado com o apoio e treinamento de sobreviventes do partido original, fundado nos anos 1960. A atuação recente inclui presença em manifestações contra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), após a morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, em Minneapolis, atribuída à polícia federal.

Paul Birdsong, de 39 anos, que se apresenta como presidente nacional do Partido dos Panteras Negras, afirma que os integrantes possuem autorização legal para portar armas de fogo e que a mobilização é uma reação direta às ações do governo de Donald Trump. “Isso não teria acontecido se estivéssemos lá. Ninguém teria sido tocado”, disse ao jornal, ao comentar a morte ocorrida durante a operação policial. Birdsong também defende o fim do ICE, que classifica como um órgão que atua contra a população comum.

Os Panteras Negras atuaram entre 1966 e 1982/Foto: Divulgação
Os Panteras Negras atuaram entre 1966 e 1982/Foto: Divulgação

Além das ações de vigilância, o grupo mantém programas semanais de distribuição gratuita de alimentos no norte da Filadélfia, retomando iniciativas sociais que marcaram a trajetória histórica do movimento.

Criado em 1966 por Huey Newton e Bobby Seale, em Oakland, na Califórnia, o Partido dos Panteras Negras surgiu no contexto do movimento dos direitos civis, com foco inicial no enfrentamento à violência policial contra a população negra. A organização defendia a autodefesa armada, amparada pela Segunda Emenda da Constituição dos Estados Unidos, e a autodeterminação das comunidades afro-americanas.

Ao longo do tempo, o grupo ampliou sua atuação, estruturou programas sociais e adotou uma linha ideológica revolucionária, com críticas ao capitalismo e defesa da autogestão comunitária. O chamado Programa de Dez Pontos reunia reivindicações como emprego, moradia, educação, fim da brutalidade policial e acesso a direitos básicos.

Rosa Parks é considerada a precursora do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos/Imagem: Divulgação
Rosa Parks é considerada a precursora do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos/Imagem: Divulgação

No auge, no final da década de 1960, os Panteras Negras chegaram a reunir milhares de membros e dezenas de comitês espalhados pelo país. A expansão, no entanto, foi acompanhada por forte repressão estatal. O FBI incluiu o partido em seu Programa de Contrainteligência, promoveu infiltrações, estimulou divisões internas e intensificou ações que resultaram em prisões, mortes e desgaste financeiro.

Enfraquecido por conflitos internos e pela repressão governamental, o Partido dos Panteras Negras foi oficialmente dissolvido em 1982. Décadas depois, o ressurgimento do nome e dos símbolos do movimento volta a ganhar visibilidade, agora associado a um novo ciclo de protestos contra a violência do Estado nos EUA.

Foto do Jornalista

Rayza Espírito Santo

Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.

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