Navio cargueiro ancorado próximo à cidade costeira de Fujairah, no Estreito de Ormuz/Foto: Giuseppe Cacace
EUA anunciam bloqueio no Estreito de Ormuz e elevam tensão com o Irã
Medida prevê interceptação de navios ligados ao Irã e ocorre após fracasso em negociações sobre programa nuclear.
Atualizado há 2 horas
Os Estados Unidos anunciaram neste domingo (12/04) que iniciarão, a partir das 11h de segunda-feira (13/04), o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo. A medida amplia a tensão com o Irã e pode provocar impactos diretos no mercado global de energia.
De acordo com o Comando Central dos EUA, o bloqueio será aplicado contra embarcações que entrem ou saiam de portos iranianos, incluindo áreas no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. Navios sem ligação com o Irã, segundo o governo americano, poderão transitar normalmente pela região.
O presidente Donald Trump afirmou que a Marinha dos EUA iniciará a interceptação de embarcações que tenham pago pedágio ao Irã para atravessar o estreito. “Ninguém que pagar um pedágio ilegal terá passagem segura em alto-mar”, declarou em publicação na rede Truth Social.
A decisão ocorre após negociações entre Estados Unidos e Irã terminarem sem acordo sobre o programa nuclear iraniano. Trump afirmou que houve avanço em parte das discussões, mas não houve consenso sobre o tema central.
Disputa pelo controle da rota
Embora o Irã tenha restringido o tráfego na região, o Estreito de Ormuz não estava completamente fechado. Teerã vinha permitindo a passagem de petroleiros mediante cobrança de até US$ 2 milhões por embarcação, além de manter o escoamento do próprio petróleo.
Dados da empresa de análise Kpler indicam que o país exportou, em março, cerca de 1,85 milhão de barris por dia — volume superior ao registrado nos meses anteriores. A arrecadação com essas operações é considerada uma das principais fontes de financiamento do governo iraniano durante o conflito.
Ao anunciar o bloqueio, Washington busca atingir diretamente essa receita. A medida, no entanto, representa um risco de elevação nos preços do petróleo, já que o estreito concentra uma parcela significativa do fluxo global da commodity.
Impactos econômicos e estratégia americana
Nos últimos meses, os Estados Unidos adotaram medidas para conter a alta dos preços, incluindo a liberação de reservas estratégicas e a flexibilização temporária de sanções ao petróleo iraniano e russo.
Em março, uma licença permitiu ao Irã comercializar estoques acumulados em petroleiros, liberando cerca de 140 milhões de barris no mercado internacional. A estratégia ajudou a ampliar a oferta e reduzir pressões inflacionárias, especialmente no preço da gasolina.
Com o novo bloqueio, o governo americano passa a priorizar o aumento da pressão sobre Teerã, mesmo diante do risco de encarecimento global da energia.
Reação do Irã
Autoridades iranianas classificaram a decisão como ilegal. O comando das Forças Armadas do país afirmou que a ação dos EUA representa “pirataria” e advertiu para possíveis consequências na segurança regional.
“Se a segurança dos portos da República Islâmica for ameaçada, nenhum porto do Golfo estará a salvo”, declarou o comandante Khatam al Anbiya, em comunicado exibido pela televisão estatal.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também reagiu, citando o possível impacto nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos. Em publicação, ele ironizou: “Aproveitem o preço atual da gasolina”.
Cenário de escalada
O Estreito de Ormuz é responsável por uma das principais conexões entre os produtores de petróleo do Oriente Médio e o restante do mundo. Qualquer restrição na região tende a provocar efeitos imediatos no abastecimento e nos preços internacionais.
A decisão dos Estados Unidos de intensificar o controle sobre a área ocorre em meio à tentativa de ampliar sua influência sobre o Irã e pressionar por mudanças em sua política nuclear, ampliando o risco de novos desdobramentos no conflito.

Rayza Espírito Santo
Redatora, repórter de editorias diversas, social media e fotojornalista.
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