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Asilo clandestino é interditado em Paciência; sete idosos viviam em condições insalubres
Operação conjunta encontrou comida estragada, falta de equipe técnica e relatos de abuso financeiro; três mortes estão sob investigação
Atualizado há 123 dias
Equipes da Prefeitura do Rio e da Polícia Civil realizaram, na manhã desta quarta-feira (26), mais uma fase da Operação Direito da Pessoa Idosa em um asilo clandestino localizado na Rua Caraguatatuba, em Paciência, na Zona Oeste. No imóvel, foram encontrados sete idosos — quatro homens e três mulheres — vivendo em condições insalubres. O espaço foi imediatamente interditado, e três mortes registradas no local estão sob investigação.
Segundo a Secretaria Municipal do Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida (SEMESQV), ao menos cinco denúncias anteriores, feitas ao Rio Cuidadoso e reiteradas pela Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (DEAPTI) e pelo Ivisa-Rio, apontavam para sujeira, ausência de médico e falta de equipe técnica capacitada.
Durante a fiscalização, os agentes encontraram o imóvel em condições extremamente precárias. Alimentos eram armazenados de forma inadequada, havia legumes e comidas estragadas, camas muito duras e roupas espalhadas em sacolas. Nenhum profissional de cuidado estava no local no momento da vistoria, deixando os idosos sozinhos.
Uma das vítimas relatou que a proprietária do espaço ficava com seu cartão de pagamento e recebia todo o dinheiro. A responsável foi identificada como Cleusa Froes de Aguiar Nogueira, técnica de enfermagem. Ela chegou ao imóvel durante a fiscalização e negou os maus-tratos.
A Polícia Civil informou que o local não possuía autorização para funcionar como Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI). Os idosos passarão por avaliação médica e devem ser encaminhados a outras instituições regulares ou devolvidos às famílias.
Inicialmente, a proprietária será indiciada por dois crimes:
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Artigo 47 – exercício ilegal da profissão, por atuar sem CNPJ e sem alvará;
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Artigo 99 do Estatuto do Idoso – maus-tratos.
Investigadores também apuram possíveis responsabilidades de familiares, caso seja constatado abandono.
Segundo a SEMESQV, somente em 2025, 19 locais foram interditados e 132 idosos resgatados de situações de vulnerabilidade. No mesmo período, cinco óbitos foram registrados, incluindo o caso ocorrido em Brás de Pina, que resultou na prisão da responsável.
No dia 18, a Polícia Civil prendeu em flagrante duas mulheres apontadas como donas de uma casa de repouso clandestina no bairro Jardins, em Seropédica, após a morte de uma idosa de 98 anos com sinais evidentes de maus-tratos. Já em setembro, outra etapa da operação encontrou 18 idosos vivendo em condições precárias em um asilo irregular em Inhoaíba, na Zona Oeste — entre as vítimas, uma delas apresentava uma lesão na perna em estado de necrose.
A SEMESQV afirma que o aumento das fiscalizações tem encorajado a população a denunciar. O canal Rio Cuidadoso recebe, atualmente, cerca de 10 denúncias mensais de maus-tratos, negligência e abusos físicos, psicológicos, patrimoniais ou sexuais, tanto em instituições clandestinas quanto em ambientes familiares.
Denúncias podem ser feitas pela Central 1746 ou pelo Rio Cuidadoso (21) 97533-8831. Informações sobre cadastro de ILPIs e o Selo Dignidade estão disponíveis pelo e-mail comdepi.rio@gmail.com.

Yasmim Celestino
Repórter-fotográfica, atuando na produção de conteúdo com objetivo de compartilhar a melhor informação para manter você bem-informado! E-mail. gazetarj@gmail.com
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